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E BUSH JÚNIOR?

Virgílio de Mattos

            “Não substituir o povo. A representação é uma impostura”

Muammar Al Kadhafi, no Livro Verde, p. 25

 “Toda una vida de caerse y levantarse para seguir peleando a corazón partido. Hasta que los tiempos cambian. El amor madura, el odio muta en dolor, se aprenden nuevas formas de lucha. Por los que vienen y por los que ya no están, los sobrevivientes renacen y vuelven a empezar, para no morir.”

Santiago O’Donnell, no Página 12 de hoje.

Trucidado em Sirte, sua terra natal, o governante líbio – herói de minha adolescência e de minha geração – resistiu até a morte. Uma sábia amiga muito querida, de mais idade e daquela região, censurou-lhe a “ingenuidade”. “Não estava armado? Tinha que ter se matado”.

Às vezes não dá. A maldade humana é pegajosa demais, é sensível a dinheiro demais é envolvente demais.

Kadhafi resistiu durante mais de quarenta anos (e, obviamente fez muita merda nesse tempo todo, mas olhe você para sua própria vida e perceba a quantidade de merda que já fez. Afinal merda literal a gente faz todo dia.). Assim como a Palestina está ocupada e resiste há quarenta anos, assim como meu amor pelo socialismo científico fez quarenta anos, assim como a primeira ação militar do ETA fez quarenta anos.

Os tempos mudam. A vida muda. A gente muda a vida e é mudado pela força inexorável da passagem do tempo.

Obviamente que só o passar do tempo vai aclarar quem foi o informante (a nacionalidade é marroquina e a profissão é mercenário) e quem foram os executores (sabe-se de paramilitares colombianos da temível organização de direita Autodefensas Unidas de Colômbia estiveram com o prisioneiro em seus últimos momentos e faziam relatos via rádio aos seus patrões do Qatar e EUA).

Não gostaria e não vou lembrar-me dele enxugando o abundante sangue que lhe escorre do lado esquerdo do rosto, ainda incrédulo, talvez, com o fim do fim tão próximo.

O desrespeito ao corpo morto não é nada comparado àquele sofrido pelo corpo ainda vivo.  Vi vários ferimentos de pequeno calibre (9 mm?) no tórax e dois no rosto (no frontal e logo acima do maxilar, do lado esquerdo) com “marca de tatuagem nas bordas” que é o que a gente aprende em medicina legal como característica principal de disparo à queima roupa.

Nenhuma comemoração a ser feita. A menos que você seja executivo de companhia de petróleo. Ou um filho da puta – ia escrevendo, mas refreei-me a tempo.

Um mártir. Viveu como um catalisador que fez de várias tribos um país. Morreu como um mártir.

Quero ver o que irá virar a Líbia, que com ele era um país. Um monte de tribos esparsas de novo?

Sob o jugo da potência hegemônica da vez?

Enquanto seus inimigos ainda comemoram não me canso de me perguntar: e o final de Bush Júnior, como será?

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MENOS MIL É UM BOM COMEÇO

Virgílio de Mattos

Com alegria vejo notícias pelo mundo todo, com exceção de nossa mídia gorda daqui sempre a serviço do grande capital especulativo e monossilábica nesses casos, da grande vitória do HAMAS, do povo palestino e da paz: mil combatentes palestinos condenados pelo estado sionista de Israel e cumprindo suas penas em condições lastimáveis – como se houvesse como cumprir pena privativa de liberdade com um mínimo de dignidade – serão libertos a partir de hoje em troca de um prisioneiro de guerra em poder do Hamas.

Capturado na faixa de Gaza enquanto era cabo do exército sionista, Gilad Shalit, um piloto de tanque do exército invasor, foi libertado após cinco anos como prisioneiro de guerra do Hamas. Em troca, o estado terrorista de Israel libertou 477 presos políticos – como se algum preso não o fosse – como parte dos mil e vinte e sete presos que serão libertados em troca do prisioneiro de guerra.

Shalit possui também nacionalidade francesa e a pressão ali foi uma das determinantes para que o estado terrorista de Israel resolvesse negociar, conforme estou convencido.

Menos 1027 presos políticos palestinos nas mãos do estado que sempre nomino como terrorista na medida em que aceita e estimula a tortura de forma LEGAL e faz com o povo palestino o mesmo, ou pior, do que foi feito com eles pelos nazistas. Pelo menos nisso são bem menos hipócritas do que os seus mantenedores, os Estados Unidos da América que ali investem um mínimo de cinco bilhões de dólares estadunidenses só em armamento e têm dificuldade em dizer que ali, nos EUA, a tortura não só é legalizada como dá lucro, vide as massas de jovens negros, hispânicos e árabes pelo mundo afora que são moídos diuturnamente nos cárceres made in USA.

Para conter o desejo de liberdade da Palestina a tortura, o sufoco econômico e a negativa de cidadania não bastam, a resistência é cada dia mais forte, intensa, vitoriosa.

Convenhamos: menos mil presos não é um bom começo?

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A FILHA DE UMA GRANDE AMIGA FOI VÍTIMA, DE NOVO!

Virgílio de Mattos

        Na última sexta-feira, quando iniciava um módulo na pós-graduação de uma faculdade particular de Belo Horizonte, uma aluna saiu visivelmente preocupada com o celular  – que eu não tinha ouvido tocar – no ouvido e o cenho franzido. Foi conversar fora da sala.

Pensei: esse povo não tem a menor consideração mesmo. Nem meia hora de aula e já estão se ocupando com a balada pra depois da aula…

Mas ela voltou logo e com os olhos cheios d’água e o rosto muito crispado, o corpo todo tenso.

Nessas ocasiões eu quase nunca resisto e acabo me metendo mesmo:

– Algum problema? Alguma coisa que, talvez, eu possa ajudar?

– Meu filho foi “assaltado”.

– A senhora quer sair? Quer ir ficar com ele?

– Não. Tá tudo bem. Meu marido já está com ele…

Conversa daqui, conversa dali, todos envolvidos (ah como é boa a pós-graduação onde estão todos ali porque verdadeiramente querem estar ali) com a questão eu penso que já posso relaxar um pouco e brincar. Fazer o que numa situação dessas? E digo que o crime de “assalto” não existe. Logo, não havia acontecido nada. Ele poderia ficar tranquila.

Ela me interrompe:

– É a segunda vez, professor…

Sou obrigado a improvisar. Fingir que tenho dons de adivinho e começo a descrever o meu neto.

MIRACOLO! Como dizia ironicamente o professor Baratta: a descrição “batia”. Eram ambos adolescentes, brancos, louros, olhos claros, fortes e muito, muito preocupados em serem novamente vítimas dessa irritante “justiça social” quando expropria nossos próximos.

Brincamos com a vocação pra vítima que essa molecada tem e seguimos. Afinal, o prejuízo, afastado o susto, fora pequeno.

Hoje a filha de uma grande amiga foi vítima de novo. Só que não é tão jovem assim, tem a pele muito mais escura do que a minha, mora na periferia e trabalha duro pra sustentar os dois filhos pequenos, o também meu amigo J. que é chato com força e o bebê que não me lembro o nome. A mãe dela telefona pra dizer que a S. foi mandada embora de novo. Vence o contrato de experiência e ela é descartada como um tomate muito maduro que a gente não quer nem pra fazer molho.

Só que dessa vez foi mais duro. Um policial que “trabalha” na mesma empresa, exatamente “levantando” quem já passou pelo sistema penal a chamou de vagabunda, por isso ela seria dispensada, porque era vagabunda.

Pra ser explorada, ganhando o salário mínimo, ela não foi considerada vagabunda e servia. Depois que descoberto o anterior contato com o sistema penal, não. Mesmo que tenha cumprido a pena, mesmo que não tenha tido nenhum outro contato com o sistema penal (já lá se vão quase quatro anos), o que, sabemos todos como são essas coisas, é muito difícil.

Ela argumentou que já havia pagado tudo. Na verdade ela disse que vagabundo era ele que estava ali recebendo da polícia e fazendo o papel feio de X-9 do passado dos outros, de quem estava correndo atrás de forma lícita e limpa, ao contrário dele que recebia aquele ‘troco’ do patrão pra fazer o feio papel de dedão do passado dos outros.

O passado dela não passa, me dizia a mãe.

E eu, que já ando com a corda no pescoço de tanta tristeza, quase engasgo de vez dessa vez.

O que querem esses filhos da puta? Que a presa quando saia só possa voltar a ser presa?

O passado não passa nunca? É tudo sempre pra sempre?

Por isso é que tem gente que esquenta a cabeça e volta. Volta a partir pra cima. Volta com tudo pra não voltar.

Vocês estão me entendendo? Só existe a expropriação do pequeno ladrão porque são permitidos os grandes ladrões que expropriam tudo, até os sonhos das pessoas.

A filha de uma grande amiga foi vítima, de novo.

Até quando, me pergunta meu neto quando é vítima lá do jeito dele, isso vai continuar?

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CONVITE

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LIBERTOS DOS PORTUGUESES?

Virgílio de Mattos

De onde Pedro Américo tirou essa tropa de puros-sangues-inglêses?

A história conta que Pedro I, teria jurado solenemente ser ‘a última besta da família’ e não podemos afirmar ainda hoje que tivesse ele “logrado êxito”, como se escreve nos boletins de ocorrências policiais.

O atavismo da besta parece influenciar de modo indelével nosso país, exceto, obviamente, no ufanismo dos locutores de futebol e dos apresentadores de TV, essa praga que não tem nenhuma relação com a literalidade lusitana.

Conta-se ainda, e é a mais pura verdade, que os tanques dos revoltosos, agora já estamos em 1974 (ficou tonto?), paravam nos semáforos de Lisboa a respeitar a ordem, a mínima ordem até mesmo nas revoluções.

Herança difícil essa nossa, além da sífilis essa obsessão pela ordem e, concedo, um certo progresso positivista.

Vamos voltar a 1822 e você, leitor paciente, mantenha a calma, por favor. Nada de enjoar, nem de passar mal, viu?!

Obviamente que a última besta da família real não estava montada no belo puro-sangue-inglês que Pedro Américo pintou. Ótimo que não tenhamos o cheiro desses europeus encardidos e fedidos, na maior parte do tempo por opção, a fazer o longo trecho Santos/Rio montados em mulas e não em fogosos PSIs de muita raça e nenhuma possibilidade fática de enfrentar a longa jornada, nem se fossem carregados às costas da besta imperial.

Nélson Rodrigues, o pai do valoroso guerrilheiro Prancha, dizia que tínhamos complexo de vira-lata. Equívoco do brilhante escritor. Temos complexo de pangaré. Não conseguimos sequer enxergar o quão valorosas podem ser as mulas, até mesmo na história.

Independência ou morte?

Acho que morremos. Afinal, independentes nem dos portugueses conseguimos ficar. Lembra-se da luta contra a estupidez? Pois então…

 

MOSCAS NA MERDA

Nicanor Parra

Ao senhor – ao turista – ao revolucionário
Gostaria de fazer-lhes uma só pergunta:
Alguma vez viram uma nuvem de moscas
batendo asas em torno de um monte de merda?
Aterrizar e trabalhar na merda?

Já viram alguma vez moscas na merda?

Porque eu nasci e me criei com as moscas
Em uma casa rodeada de merda.

 

            Trad. Virgílio de Mattos

– especial para esse dia memorável –

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MUITO OBRIGADO POR TUDO!

Virgílio de Mattos

Queria poder dizer pessoalmente a você, meu camarada, FELIZ ANIVERSÁRIO, mas o dia 25 de agosto passou e, confesso, me esqueci disso completamente, obcecado com as tarefas mais urgentes. As tarefas mais miúdas são sempre as mais urgentes, não é verdade?

Mas de seus ensinamentos não me esqueço nunca das linhas gerais: direção, organização e estratégia. Talvez esteja confundindo a ordem.

Você fez 100 anos e como seria melhor o mundo com mais pessoas como você. Como teríamos um mundo melhor se os estudantes de direito, como você, tivessem um décimo da sua capacidade. Tá bem: um milionésimo da sua capacidade.

Você que sempre se utilizou do estudo e, sobretudo, do ensino do direito para organizar a todos na luta revolucionária.

Fedorentos franceses mataram sua esposa[1] mediante as mais indescritíveis torturas e sua cunhada foi guilhotinada. Mataram seu filho recém-nascido, seu pai (um camponês), duas de suas irmãs e outros familiares. Os idiotas pensaram que você se entregaria…

Em 7 de maio de 1954 você lhes imporia sua mais espetacular derrota, na batalha de Dien Bien Phu. Dos mais de 15 mil mercenários franceses, só 73 escaparam vivos. Você ainda prendeu mais de 10 mil, varrendo-os da Indochina de uma vez por todas.

Foi a primeira – e definitiva! – grande vitória de um povo pobre, colonizado e feudal, com uma economia agrícola primitiva contra os poderosos franceses e seus brothers estadunidenses que também seriam derrotados em seguida na Guerra Americana.

Os primeiros gringos justiçados caíram em 8 de julho de 1959, na base de Bien Hoa, a noroeste de Saigon. E você derrotou quatro presidentes, pessoalmente, inapelavelmente até que o sionista Kissinger, com o rabo gordo entre as pernas, foi obrigado a assinar a paz de Paris, em 1973. Por quê? Pelas sucessivas derrotas militares e pela opinião pública estadunidense, horrorizada com as transmissões de TV. Guerra ao vivo e em cores.

Seu clássico “Guerra Popular, Poder Popular” é um livro atual até hoje, basicamente uma guerra além de militar, econômica e política, feita não apenas pelo exército, mas por todo o povo.

Dali busco que “quando há uma desproporção tão grande de forças, o êxito da vitória se baseia na iniciativa, na audácia e na surpresa”.

Muito obrigado por tudo, Giap!

Giap

“Acompanhem este blog e derrotem o inimigo!”


[1] – A tailandesa Dang Thi Quang.

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