Se não parece não é

Divagações em torno de um comentário da Rayssa

Máscaras

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O post 7 autoexames para fazer agora! saiu de supetão do meu espanto com o crescente estímulo ao medo reforçado pelo conluio entre mídia e especialistas de plantão. O fenômeno é geral, mas nesse caso particular tem a ver com a saúde. Não vejo com muita simpatia as campanhas de prevenção de doenças veiculadas nos meios de comunicação, várias delas patrocinadas por órgãos públicos. É preciso avaliar se estimulam mais a insegurança e a paranóia do que previnem de fato uma enfermidade. Tenho a impressão de que apenas estimulam um estado de medo difuso.

A maioria das pessoas não faz os procedimentos preventivos indicados, mas passa a conviver com a idéia de que o corpo é uma bomba relógio mal regulada pronta para explodir a qualquer momento. Não seria um peso muito grande andar por aí com esse corpo inviável, esse campo minado de sintomas assustadores? O mal-estar de fundo, aquele ruído interno inconveniente e vazio de sentido que nos acompanha a todos não ganharia força ao contar com as significações que se lhe acrescentam de fora?
O que há no tão falado interior a não ser esse zumbido existencial, essa vibração pré-consciente que vem da própria auto-reprodução da vida? Estou com Fernando Pessoa: é o exterior que tem existência real.

Ser real quer dizer não estar dentro de mim.
Da minha pessoa de dentro não tenho noção de realidade.
Sei que o Mundo existe, mas não sei se existo.
Estou mais certo da existência da minha casa branca
Do que da existência interior do dono da casa branca.
Creio mais no meu corpo do que na minha alma,
Porque o meu Corpo apresenta-se no meio da realidade.
Podendo ser visto por outros,
Podendo tocar em outros,
Podendo sentar-se e estar de pé,
Mas a minha alma só pode ser definida por termos de fora.
Existe para mim — nos momentos em que julgo que efectivamente existe —
Por um empréstimo da realidade exterior do Mundo.

Não há uma alma, não há um lá dentro. Se olharmos pra dentro procurando alguma coisa, vamos achar o nada e a mais absoluta solidão, desacompanhados até de nós mesmos. A “alma só pode ser definida por termos de fora” […] “por empréstimo da realidade exterior do Mundo”.

Se a alma viesse antes do corpo e se o interior fosse mais real do que o exterior, estaríamos todos e cada um de nós isolados, inacessíveis e incompreensíveis aos outros. E a nós mesmos, afogados em nossa insignificância. Continuo com o Pessoa:

Se é mais certo eu sentir
Do que existir a coisa que sinto —
Para que sinto
E para que surge essa coisa independentemente de mim
Sem precisar de mim para existir,
E eu sempre ligado a mim-próprio, sempre pessoal e intransmis¬sível?
Para que me movo com os outros
Em um mundo em que nos entendemos e onde coincidimos
Se por acaso esse mundo é o erro e eu é que estou certo?
Se o Mundo é um erro, é um erro de toda a gente.
E cada um de nós é o erro de cada um de nós apenas.
Coisa por coisa, o Mundo é mais certo.

Pois bem, a existência é exterior. É no mundo lá fora que nos movemos, nos encontramos ou desencontramos, nos ajudamos ou nos matamos. Enfim, existimos. Vivendo e convivendo no mundo que é exterior por excelência, vivemos da e na aparência. Viver de aparência não é defeito de caráter ou mal dos tempos atuais. É apenas uma condição irremediavelmente inerente ao ser humano. Podemos nos espantar com as aparências que se apresentam hoje em comparação com as que se apresentavam ontem. Mas não podemos falar de uma época ou lugar em que as pessoas seriam mais verdadeiras, sinceras e autênticas em contraposição a outra época ou lugar em que prevaleceria a mentira, a falsidade e a inautenticidade.

No mundo em que vivemos (em qualquer tempo ou lugar) não basta ser. É preciso parecer. É irrelevante ser se não aparentamos o que somos. O que somos, mas não aparentamos, não existe para fins práticos. Lyman e Scott apontam Maquiavel e Goffman como dois grandes estudiosos dessa concepção.

Marshall McLuhan numa conferência (O fim da ética do trabalho) de 1972, impressionante pela atualidade, diz que “o homem civilizado, o homem euclidiano, cujas faculdades foram aguçadas e especializadas pela literacia greco-romana, esse empreendedor agressivo, orientado por objectivos e seguindo uma só direcção foi simplesmente desalojado e desacreditado pelo novo ambiente fabricado pelo homem da informação eléctrica simultânea”. No mundo inundado por informações eletrônicas simultâneas, a orientação para um objetivo individual estável não é mais viável. Só é possível representar papéis. Mais do que indivíduos, somos todos atores representando papéis para outros atores em um cenário fugidio, que se altera continuamente e que nos obriga a rever nossas representações. “Devido à simultaneidade da informação e da programação elétrica já não existem espectadores. Toda a gente passou a fazer parte do elenco”. Stress é pouco!

(Acredito que a era eletrônica não trouxe algo absolutamente novo. Mas exacerbou características inerentes à vida social e restringiu fortemente a representação social do homem que McLuhan chama de euclidiana.)

Representar papéis é jogar com aparências. Jogar com as aparências é correr o risco de deixar de ser “cool” (vou manter as palavras cool e coolness sem traduzir. Cito a partir daqui o ensaio “Coolness in everyday Life” – “A Sociology of the Absurd”). Coolness é apresentada e definida como preservação do equilíbrio em situações de pressão. Pressão significa presença de carga emocional forte ou risco. “Coolness refere-se, então, à capacidade de executar atos físicos, incluindo a conversa, de um modo harmonioso, calmo e auto-controlado em situações de risco, ou manter distanciamento afetivo durante encontros que envolvem forte emoção”.

Distinguem-se três tipos de riscos. 1) Riscos físicos: morte ou ferimento grave. Clint Eastwood é cool porque mantém a calma e a destreza diante de vários inimigos e consegue acertar todos eles antes de sacarem as armas. 2) Riscos financeiros: “Devo, não nego. Pago quando puder. E nem por isso vou perder o sono”. Essa é uma atitude cool. 3) Risco social: é o mais importante, pois pode surgir toda vez que ocorre um encontro. Em todos os encontros sociais as pessoas levam uma face ou uma máscara que constituem os valores que reclamam para si mesmas. Dado que colocam esses valores em jogo a cada encontro, segue que encontros são ocasiões moralmente sérias, repletas de riscos, em que as pessoas colocam as suas personas públicas na reta. Encontros são perigosos porque está sempre presente a possibilidade de o comportamento desconfirmar ou danificar o status ou identidade pretendidos pelo agente. Para que uma performance seja bem sucedida é preciso não só gerenciar o que foi planejado, mas continuar com calma diante de intrusões, interrupções e tropeços. A capacidade de manter a máscara pública intacta em situações de stress representa coolness.

Deixar de ser cool é ficar embaraçado, ter explosões de raiva ou choro, aparentar uma profunda tristeza, se entusiasmar em excesso, falar muito acima do tom apropriado, dar chilique, ser ridicularizado, gaguejar, fazer gestos estabanados ou repetitivos, derrubar coisas, etc. Ninguém quer protagonizar uma cena dessas. Ou, talvez, se for para protagonizar, que seja com tal estardalhaço que se encontre a coolness pelo lado oposto. De tão destemperado, virou cool. Se for para cair em prantos, então cuide para a maquiagem borrada forme um bonito desenho. Se for demonstrar tristeza, que seja uma tristeza tão monumental que mantenha o glamour.

Talvez as coisas sejam assim porque, como diz McLuhan, não existem mais espectadores. Todos fazem parte do elenco.

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14 respostas para Se não parece não é

  1. Pingback: Tweets that mention Se não parece não é | Sociologia do Absurdo -- Topsy.com

  2. Flávia Cera disse:

    Carlos,
    passei aqui para assinar embaixo do seu ótimo texto. Sabe quando a gente concorda do começo ao fim? Então.
    Faz uns dias e presenciei no tuíter algumas pessoas perguntando aos amigos se no tuíter elas se pareciam com o que eram de verdade. Achei engraçada essa dúvida, embora seja muito frequente. Ainda mais com as mensagens do “seja você mesmo” e seja feliz. Vi uma perversão (hehe) da bandeira do Oiticica “seja marginal seja herói” que complementava com essa coisa de “seja você mesmo”, como se fôssemos um ser e não modos de ser. Como se não fôssemos semblantes. Bem, no mais, adorei esse texto e todos os outros que li. Um beijo.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Obrigado pela visita, Flávia. Gostei do jeito que você escreveu: “como se fôssemos um ser e não modos de ser. Como se não fôssemos semblantes”.

  3. Mônica disse:

    Eu sinto um paradoxo: está aí o imperativo de se prevenir das doenças, de se conferir o tempo todo, de se estar sempre lindo conforme os padrões; mas ninguém (mesmo os que parecem alcançar a coisa) dão conta desse imperativo. O encaixe nunca acontece e nunca acontecerá. E aí fico pensando no tanto que o ser humano é um conflito.

    E tem outro conflito, que não está no campo do ser e do parecer. Está mesmo no semblante, para citar a Flávia. Eu sinto um conflito entre o “semblante que sinto que tenho” (aquilo que acho que sou) e o “semblante que ACHO QUE aparento para a maioria”. Passo por isso às vezes, ou muitas vezes. Acho que, quanto mais encaixado está o semblante interno com o externo, menores PARECEM SER esses conflitos.

  4. Vitor C. disse:

    Não esqueço um dia em que uns médicos foram à minha escola, eu fazia ensino médio, dar uma palestra sobre DSTs. O que eles fizeram foi exibir uma série de slides com casos extremos, pessoas com os genitais deformados e fetos deformados. Desde aquele momento, passei a duvidar muito de qual seria o objetivo desse tipo de palestra… no fundo, apenas disseminam a insegurança. (Nesse caso, qual o ponto em disseminar insegurança sobre o sexo entre adolescentes?!)

    Achei ótimo o que disse sobre a existência exterior (citando Pessoa!) e a maneira como conseguiu demonstrar o quão relevante essa discussão, aparentemente tão abstrata, é.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Já vi dessas palestras terroristas sobre acidentes de trânsito. Acho que não valem nada. Pois é, se o interior viesse primeiro a gente seria uma espécie de vegetal, não é?

  5. Essa coisa de exterior e interior me complica. Eu ia reclamar pra mim justamente o oposto. Porque eu sei quem sou e o que penso, por dentro. Me conheço intimamente, gasto meu tempo comigo, me estudando, me analisando. Me acho fascinante, não por egocentrismo, mas por ser um milagre.
    Às vezes eu me surpreendo com as minhas mãos. Elas se movem sozinhas, ou elas se movem a um simples desejo meu. As duas coisas acontecem, de vez em quando ao memso tempo. Quem é o resultado dessa síntese do meu interior e do meu exterior?
    Mas o que eu queria mesmo dizer é que esses dias eu tava escrevendo uma carta prum amigo, falando justamente sobre essa questão. porque eu não reconheço o exterior como eu. Eu me surpreendo com meu corpo, às vezes. Olho no espelho e não me reconheço -isso sou eu? E cada vez que olho é como se eu estivesse muito diferente da vez anterior. Comecei a fazer uns esboços de reconhecimento de personagens minhas, dessas peles que eu visto. Uma tem um rosto alongado e um ar metido. Outra tem rosto infantil, redondo e covinhas. Há ainda uma com ar maligno e cabelos bem penteados. Não sei bem explicar, mas sinto que são todas diferentes eus.
    E só me reconheço quando chego bem perto e olho nos olhos. Parece que lá no fundo há algo do que conheço de mim.

    Acho que discordo quando você (e de pessoa) afirma que só o exterior é real, porque entra em contato com o mundo. Acho que só o exterior é facilmente entendido como real e concreto. Mas o meu interior, em contato direto… comigo? Ele é real, é a única parte que conheço de mim. Acho que, quanto ao que é realidade, temos que ter duas instâncias, no mínimo. A nossa e a dos outros. Para nós, nosso interior é real, e mexe diretamente com o que apresentamos no exterior. E o interior das outras pessoas não existe, porque somos incapazes de atingí-lo. Para os outros, o nosso exterior é a única coisa que existe de nós. E o interior deles é que é real.
    Por isso que quando não aparentamos, não somos para os outros. Ainda que sejamos para nós mesmos, porque trazemos aquilo no nosso interior. A realidade se divide em instâncias demais pra gente pensar só num lado dela, eu acho.

    (Tem também aquilo que é a gente em contato com o mundo. O momento em que o interior e o exterior se encontram. Como num espelho, talvez? O que seria a parte real, nesse caso? A parte que vê ou a que é vista? O choque que vem é do corpo que encontra a alma, ou é a alma encontrando o corpo? Ou é um choque mútuo, é tão duplo que se torna único e indivisível?

    Ou será que esse encontro de realidades não se dá quando, por um impulso interno, levantamos as mãos e pegamos um copo?)

    Acho que, realmente, a sociedade impõe essa coisa de só ser mesmo se parecer ser. Mas por nenhum outro motivo que esse confronto de percepções. Porque a gente só vê do outro o que ele parece, e vice versa. A realidade é mais um jogo de percepções do que qualquer coisa.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Rayssa, quem sabe faço um outro post comentando o seu comentário? E a linguagem que você usa tão bem para construir essas idéias? Ela está dentro de você. Mas ela veio de fora…

  6. Paulo Soares disse:

    Texto interessante.

    O primeiro tema, a indústria do medo, vincula-se à melhor estratégia de marketing possível: “compre isso ou morra!”

    O segundo tema, a ilusão de uma existência interior (alma) dá pano pra manga. Mas deixa eu arranhar a superfície um pouco.
    A crença nessa existência interior é um efeito colateral de nossa auto-consciência (tem hífen?). O encontro do fluxo de consciências corporais (ou diferentes módulos do sistema nervoso) gera a ilusão de um “eu” (ou mais ou menos isso), cf. http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-65641997000200010

    Isso não reduz a “identidade indivudual” a uma farsa, mas a põe em perspectiva.

    Outro arranhãozinho, se tivessemos uma identidade “interna” ela seria a coisa mais mutante do mundo, pois somos contradições ambulantes. Quem nunca se pegou fazendo o oposto daquilo que diz?
    Como diria Lacan, “o erro nos define”.

  7. Virgílio disse:

    Prof. Carlos: recomende SATÃ E O DIREITO PENAL COOL, do Zaffaroni.
    Destaco o ponto G do discurso autoritário cool, no também indispensável “O inimigo no Direito Penal” – RJ:ICC/REVAN.2007, p. 74: [” o discurso autoritário cool latino-americano participa do simplismo de sua matriz norte-americana, carecendo igualmente de qualquer respaldo acadêmico, e se orgulha disso, pois esta publicidade popularesca denigre constantemente a opinião técnica jurídica e criminológica, obrigando os operadores políticos a assumir idêntica postura de desprezo”.
    Völkisch é popularesco. Nego costuma traduzir por populista. O próprio Zaffaroni explica isso. Popularesco no sentido de ser “um discurso que subestima o povo e trata de obter sua simpatia de modo não apenas demagógico, mas também brutalmente grosseiro, mediante a reafirmação, o aprofundamento e o estímulo primitivo dos seus piores preconceitos”.
    Pessoa tinha um desejo de saber onde é que havia gente nesse mundo. Isaac Babel mandou uma foto dele pra irmã, acho, dizendo que havia passado a vida combatendo aquele homem da fotografia.
    O poema do Sá de Miranda que a belíssima Maria Rita Kehl cita no O TEMPO E O CÃO também vai na mesma direção:
    “Comigo me desavim
    fui posto em todo perigo
    Não posso viver comigo
    não posso fugir de mim.”
    O que sustenta tudo isso é o que você aponta muito bem: às vezes, alguns, “não vão por ali”, como dizia o José Régio.
    Poetas. Poesia. Romântico. Ingenuidade. Percebeu como isso, esses signos exemplificativamente, viraram algo “negativo” nesse extertor do neoliberalismo?
    Satã ou Senhor Jesus. Atlético ou aquele time de perto do fórum de BH. Querem reduzir a cosmogonia a isso: simplificação é = a vulgarização. Ehhhh: temos enfim um völkisch cool.
    Nego vende a mãe por uma “oportunidade de negócio”, como dizem os publicitários.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Virgílio, você não quer escrever alguma coisa sobre “direito penal do inimigo” aqui para o blog? Assim inicio uma seção “explorando os amigos”.

  8. Alguém disse:

    Desculpe-me, mas os fatos existem indepentdentemente dos expectadores.
    Exemplo: se existe uma espécie de peixe nas regiões abissais do oceano que nenhum ser humano jamais catalogou, não quer dizer que essa espécie não exista e nunca tenha existido. Ela existe e está lá, nós que não a conhecemos (até que recentemente descobrimos tal forma de vida e provavelmente há muitos outros tipos de seres para descobrir e catalogar no fundo dos oceanos, alguns dos quais talvez nunca tenhamos informações). Para os europeus, de forma geral, não havia durante muito tempo um “continente americano”, e no entanto existia um na “realidade-mor”. Eles que não conheciam e não tinham recursos para tal.
    Há animais que possuem mais sentidos do que os nossos, e conseguem perceber sensações que nós não conseguimos. Isso não significa que aquilo percebido por eles não exista. Existe, e está lá, nós que não fazemos o mesmo. Apenas soubemos disso através de investigações e medições científicas e ainda nem sabemos direito como esses animais, ao exemplo do tubarão, têm essas percepções não humanas.
    Há milhões de coisas no universo… Não fazemos a menor ideia de que ali estejam, e não fazíamos até descobrir a existênica de muitas delas, sendo que descobrimos mais e mais à cada dia. Para nossos ancestrais, tais fatos eram irreais, alguns até absurdos, mas estavam lá, dentro de uma “realidade-mor”. A questão é que eles não tinham essa capacidade.
    Da mesma forma, existe na mente das pessoas um verdadeiro universo que é repleto de detalhes, os quais provavelmente nunca irão se exteriorizar, pelo menos não de forma clara, e que p’ra você nunca irão existir. Mas repito, o fato de você não ter visto ou não poder ver, pela sua própria incapacidade (limitação) não significa que aquele pormenor dentro daquela mente não exista inserido em uma “realidade-mor”. Existe, e está lá, você que não consegue ver, ouvir ou sentir de outra forma, porque é limitado e incapaz de fazer tal ato. Não digo que são inacessíveis, porém, não digo que não existem. Alguns conseguem “invadir”, por assim dizer, a mente dos outros, como os psicanalistas e outros estudiosos da mente e do comportamento, como os neurocientistas. Mas condordo que tudo ainda é muito primitivo, como muitas outras coisas da ciência um dia foram e hoje são extremamente desenvolvidas.
    Em resumo, quero dizer apenas isto: os fatos existem independentes de nossa sensorialidade e de nosso conhecimento, sendo, pois, arrogância dizermos que não existem porque não o sentimos em nossa percepção. Isso vale, como já exposto, para fatos existenciais dentro da particularidade da mente de cada um (o que poderiam chamar de “interior”).

    “A lógica ordena que tudo aquilo dito como racional e científico deve ter o dilema existência-inexistência provado.”

    “Prove que existe, se for sua hipótese; também prove que não existe, se for o contrário. Acima disso, não há ciência nem racionalidade.”

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