Eu também vou reclamar (antes que proíbam)

Atualização: Até hoje, dia 18 de março, contados 8 dias úteis, o Santander não tomou nenhuma providência quando à fraude de que fui vítima. Continuo aguardando. Vai se confirmando a notícia de que o Santander é uma das empresas que mais ignoram queixas de clientes.

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Sexta-feira.  Dia 04 de março de 2011. Véspera de carnaval.  Compromissos de trabalho encerrados na hora do almoço. Sigo para o shopping a fim de comprar alguns itens para a viagem de sábado. Antes de fazer as compras, almoço. Pago com o meu cartão de débito. Tudo bem. Até aqui.

Entro numa loja de roupas, pego algumas coisas (escolho essa loja para evitar a interação com vendedores) e vou ao caixa. Apresento o meu cartão de débito. Recusado. Passo o cartão de crédito. Ok. Tudo esquisito. Até aqui.

Entro em uma loja de calçados. Pergunto por sandálias. O vendedor me mostra alguns modelos dissertando sobre suas qualidades. Aponto uma e digo “vou ficar com essa”. Compra rápida e objetiva. Vou ao caixa. Apresento o meu cartão de débito. Recusado. Passo o cartão de crédito. Ok. Tudo mal. A partir de agora.

Converso com a moça do caixa e o vendedor. Descubro que o código da recusa indica falta de fundos. Não faz o menor sentido. Salário recém entrado na conta. Limite do cheque especial intacto. Tudo muito mal MESMO!

Corro ao caixa eletrônico do ex-banco Real, agora Santander (infelizmente) localizado no próprio shopping. Susto! No extrato simplificado cuspido pela máquina já identifico débitos que não fiz. Saldo negativo. Corro para o posto da agência que fica no local onde trabalho. O gerente tira um extrato completo.  Nada menos do que DEZ débitos fraudulentos responsáveis por um belíssimo saldo negativo. Não levaram apenas o MEU dinheiro, mas todo o limite do cheque especial e todas as armadilhas todos os créditos pré-aprovados disponíveis. Sou mais uma vítima de fraude bancária pelo internet banking.

Código de defesa do Consumidor

Nem reclamar podemos mais?

O gerente foi muito atencioso, mas não podia fazer nada. Apenas discar para uma tal de “Super Linha” – que deve ter esse nome por ser super cheia daqueles “para isso digite 1, para aquilo digite 2 e para ficar esperando por dezenas de minutos faça a sua melhor cara de idiota” – e me passar o telefone.

Depois de digitar alguns números e esperar por dezenas de minutos – vestido com a minha melhor cara de panaca –, comecei a falar com seres humanos. Sou transferido daqui pra lá até um dos atendentes me informar que o “setor de fraudes do banco” iria analisar o caso e se posicionar dentro de SETE dias úteis.  CONSTATADA A FRAUDE (isto é, se eu não estivesse mentindo), meu dinheiro seria devolvido. Detalhe: os SETE dias úteis começariam a ser contados a partir da QUARTA-FEIRA de CINZAS.

Dizem os católicos que a quarta-feira de cinzas tem a finalidade de nos lembrar que somos pó. Parece que o Santander é católico. Estou, desde o dia 04 de março (hoje é dia 15 de março), sem cartão e com a minha conta bloqueada. Mas é claro que isso não é problema do Santander. É problema do panaca aqui.

Se não tivesse conta em outro banco, estaria numa situação muito difícil. Não teria viajado no carnaval e estaria até hoje vivendo da caridade de amigos e familiares. Importante destacar que o dinheiro que tenho em outro banco está lá guardado para um pagamento que terei de fazer futuramente. Ou seja, fui obrigado a comprometer o meu planejamento financeiro para esperar pelos SETE DIAS ÚTEIS que o “setor de fraudes” do Santander gasta para resolver uma falha de segurança que é deles e não minha.

Pois bem. Continuo aguardando a solução do problema. Enquanto isso, estou apenas exercendo o sagrado direito de reclamar, que anda ameaçado.

Pra quem ainda não sabe, Daniely Argenton está sendo processada pela Renault por ter criado um site e perfis no Twitter e Facebook para reclamar do não cumprimento da garantia na compra de um carro zero-quilômetro que simplesmente não funciona.  A justiça ordenou a retirada do ar do site e de todos os perfis.

Nem reclamar podemos mais?

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23 respostas para Eu também vou reclamar (antes que proíbam)

  1. A questão é que o advogado que essa corporação contrata (por um valor bastante elevado) tem domínio de todas as artimanhas jurídicas que um código permite a alguém utilizar para evitar que um direito de outrem seja reconhecido em juízo. E mesmo quando reconhecido tal direito, esse mesmo advogado sabe o que fazer, na fase de execução, para protelar a prestação jurisdicional.

    Se você não contrata um advogado habilidoso, suas chances são menores. Mas em quantos casos uma parte singular terá a mesma capacidade financeira para contratar um advogado como o dessa grande corporação?

    Além disso, esse advogado da corporação, por ter maior poder aquisitivo e muitas outras razões, frequenta os mesmos ambientes daqueles que vão julgar o processo e tem mais acesso a eles. É aquilo que chamam “influência das relações pessoais”.

    Sobre isso e muito mais: http://www.professormarinoni.com.br/manage/pub/anexos/2007081011250503.pdf

    • Carlos Magalhaes disse:

      Pois é, Caceres. A rapadura é dura e açucar é veneno. E nós aqui de baixo só levamos na cabeça!

      • O Direito, como quase sempre, cumprindo sua função: manutenção do status quo. Manda quem pode. Obedece quem tem juízo. E, como dizem por aí (não sei quem pensou ou disse isso pela primeira vez): para os amigos: tudo; para os inimigos: a lei. Eu até diria, para manter os desfavorecidos subjugados: as manobras processuais.

  2. carol disse:

    neste mês eu passei por situação semelhante, não de fraude no cartão, mas de igual sensação de impotência diante do descaso/incompetência do santander. 1º depositei um cheque no caixa eletrônico e o banco SUMIU, PERDEU o cheque. tive de ir à agência (nada mais se resolve por telefone) e o gerente me orientou a sustá-lo. meu pai, dono do cheque, assim o fez e, no dia seguinte, depositei outro de mesmo valor, dessa vez na boca do caixa. o $$ entrou, mas, uma semana depois, eles retiraram o valor. motivo? cheque sustado.

    foram necessárias mais 2 idas minhas ao banco (= 2 dias de trabalho perdidos) para explicar pessoalmente o óbvio ululante. entendido o erro, eles demoraram CINCO DIAS para devolver meu dinheiro.

    agora estou apenas esperando alguns cheques que já emiti serem compensados para encerrar a conta. santander, nunca mais. ai que saudades do banco real…

    ps. já reclamei no banco central. das poucas formas de o banco ser punido/multado.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Carol, estou ouvindo/lendo vários relatos semelhantes ao seu sobre o Santander. Meu problema é que recebo meu salário nesse banco. Mas já decidi que no mesmo dia do pagamento vou transferir para outro banco. No Santander não confio mais.

  3. aiaiai disse:

    Puxa, Carlos,

    Meus problemas com Santander ainda não são tão graves, mas eu não consigo entrar no site de auto atendimento deles sem ficar com raiva. Que saudades do Real.
    Acho que vc faz muito bem em reclamar aqui na net porque ao menos assim eles terão que ouvir.
    Não passaram os sete dias ainda????

  4. Esse negócio de Super Linha é a coisa mais deplorável que eu já vi. Fui encerrar minha conta que foi “aberta” pela empresa que eu trabalhava no Santander e a gerente tinha que ligar pra essa porcaria para poder encerrar a conta. Mas parece que dava ocupado ou ficava na eterna musiquinha. Até que finalmente atenderam ela me passou o telefone e a atendente fez o papelzinho de advogado do diabo querendo oferecer docinhos para eu ficar com a conta…😛

    • Carlos Magalhaes disse:

      É o esmagamento do ser humano. Dos clientes e dos empregados do banco. Máquina de moer gente. O gerente quase me pediu desculpa. Não podia fazer nada a não ser ligar para essa super linha.

  5. Virgílio disse:

    Acredito que dessa vez vão sobrar.
    Além da recomposição do seu crédito, Carlos, pagarão pelos danos moral e material.
    Tenho certeza disso.
    Tanta certeza como o capitalismo estar com os séculos contados.
    Você já sofreu bastante e se aborreceu idem.
    “A fita agora vai mudar de lado”, pode estar seguro.
    No pescoço desses caras. Vamos ver se o jurídico pensou em tudo mesmo…
    Mientras tanto, vá pensando o que fazer com R$34 mil, embora esteja seguro que você pagaria isso pra não se aborrecer desse jeito.
    Acho que era em Berkeley ou em Boulder, no Colorado, que saiu a pérola:
    BEFORE JUSTICE AFTER PEACE!
    Absurdo empregador obrigar a abertura de conta num tamborete desses…
    Cadê “us pessoal dos direitos humanos”? Cadê a Rede Bobo? A polícia?
    CADEIA PRO SEU SANTANDER!!!
    Honestamente, tem umas internações psiquiátricas que eu defendo, pra banqueiro, por exemplo.
    Abraço solidário nesse momento triste, meu chapa.

  6. Ila Fox disse:

    Não sei se é impressão minha, mas a impressão que tenho é que o Real quando mudou para Santander ficou uma droga.

    Em Agosto do ano passado, eu e meu marido estávamos aqui nos EUA, quando em pleno sabado o cartão resolveu ficar fora do ar. Achamos que fosse por causa das compras (eles adoram bloquear compras no exterior, mesmo avisando da viagem). Tentamos sacar dinheiro e nada. Achamos estranho e ligamos no banco que disse q em 15 minutos voltariam ao normal. Passou uma hora e nada mudou. Por sorte o passeio não era muito longe do hotel e deu para voltar de onibus usando o pouco dinheiro que tinha no bolso.

    Chegando no hotel eu dei uma olhada no twitter, e não só a gente mas todos os correntistas do banco estavam putos da vida. Era final de semana do dia dos pais e muitas pessoas não estavam conseguindo comprar nada, tudo bloqueado. Ou seja: o dinheiro estava lá, mas vc não podia sacar nem um realzinho que fosse. Se estivessemos no Brasil a gente daria um jeito, mas complicado ficar dependendo de um banco num país que não é o seu…

    O problema só foi arrumado na segunda. Ou seja: perdemos um final de semana inteiro aqui nos EUA, sem poder passear e comprar nada. Só com 10 dolares no bolso. Contamos moedinhas para poder comer. Tempo perdido em viagem não dá para voltar né? Foda.

    Por sorte conseguimos controlar a situação, mas fico pensando se tivéssemos viajado para alguma cidade próxima no dia, como voltariamos? ou pior, e se o cartão tivesse ficado fora justamente na hora de pagar a conta do restaurante? complicado ficar a mercê destes caras… :-/

    • Fernando Salvio disse:

      Aproveito o caso e escrevo uma reflexão que tive. Como quase todo mundo, eu passei a usar o cartão de debito pra tudo. Mas cada vez q eu passo algo no débito, fico pensando que acabo de dar mais dinheiro para uma instituição que ta pouco se lixando pro cliente e que se for possivel, vai sempre arrumar uma forma mais criativa e obscura de extorquir/roubar seus clientes. As propagandas fazem seu papel convencendo que o cara que paga com dinheiro é otário e que vai receber moedinhas de troco. No final, pagamos através do repasse do comerciante no valor do item, da “maquina”. Claro que concordo que a transação eletronica é pratica e geralmente segura, mas fica apenas como eu disse la em cima, uma reflexão e cada um haja como quiser. Eu passei a andar com dinheiro, claro que ainda uso o débito, mas sou chato, idealista e sonhador.🙂

      • Carlos Magalhaes disse:

        É difícil escapar, Fernando. Criam o “conforto” do cartão de débito e a gente paga por isso sem sentir. Pegam nosso dinheiro de todo jeito. Aí você coloca dinheiro numa aplicação e eles pagam 0,5 %. Acho que vou abrir um banco…

      • 😀 Boa. Acredito que o dinheiro de papel deveria ser transformado em dinheiro de plástico, mas não através dos bancos privados.

        Citando esse artigo: http://www.ariesgoti.cnt.br/index_arquivos/artigo_oandrade_cartao_de_credito.htm

        “Num curto espaço de tempo, uma nação poderá deixar de ter dispêndios com a confecção de moedas e notas de papel, gerando grande economia. Isso acarretará mudanças profundas no sistema bancário que não mais precisará servir de depositário de nossas economias. Poderemos deixar de fazer depósitos para efetivamente emprestar o excedente de dinheiro para os bancos, se quisermos.

        Nesta evolução, não parece razoável que o banco central de qualquer país terceirize a moeda para uma companhia ou banco privado que administra cartões. Não obstante é o que está acontecendo.

        (…)

        Será que o conhecimento da tarifa dos cartões levariam consumidores a usar menos as funções débito e crédito, reduzindo lucros de bancos e administradoras de cartões e este fato não é de interesse das corporações?

        Ou será apenas a corrupção humana impedindo a evolução do sistema monetário nacional e mundial, uma vez que a moeda virtual permite a extinção das práticas de corrupção por dinheiro, pois, vinculada à identidade, permite o rastreamento e a tributação baseada na natureza da transferência da moeda, impedindo a aquisição de mercadorias e benefícios ilícitos por moeda?”

        E tratemos de instruir as crianças (ou pequenos consumidores) a entrar no sistema:
        http://procurandovagas.org/novo-jogo-banco-imobiliario-vem-com-cartao-de-debito-eletronico/

        Abraço.

      • Carlos Magalhaes disse:

        Fernando, seu comentário tinha caido na caixa de spam. Recuperei de lá.

    • Carlos Magalhaes disse:

      Ila, fui cliente do Real por 14 anos e nunca tive problema. Sempre usei internet banking. Foi só mudar para o Santander que o tormento começou.

  7. Paulo Soares disse:

    Que horror!

    Me solidarizo.

    Nota: o santander é campeão em reclamações no Banco Central.
    Se puder, mude de banco, ou o use apenas para receber o salário e transfira o valor para outro banco (o Itaú é uma mer$# tb.) – se CPMF’s da vida voltarem a existir, procure saber sobre cheques TB (transferência bancária).

  8. Rúbia Evangelista disse:

    Carlos,

    morri de rir quando vc disse q o Santander é católico. Mas como o caso não é bem rir e sim de chorar diante da nossa impotência, sugiro que se a situação persistir procure o Juizado Especial para fazer um pedido liminar.

    Mas falando um pouco sobre o Blog em si, quero te parabenizar e também ao Virgílio, que sempre tem escrito aqui, e dizer que desejo vida longa ao Sociologia do Absurdo.

    Tem sido super interessante ler o que vocês escrevem.

    Gostei principalmente de um sobre o senso comum e como as pessoas recebem as informações como blocos sem as digerir e criticar. Achei demais!!

    Felicidades

    Rúbia

    • Carlos Magalhaes disse:

      Agradeço por mim e pelo Virgílio, Rúbia. A gente gosta de escrever e quando sabemos que tem alguém lendo e gostando achamos melhor ainda.

      Quanto ao Santander, o Virgílio está me orientando. Vamos cobrar os danos.

      Abraço

      • Quando a denúncia aos órgãos governamentais responsáveis pela fiscalização dessas entidades não adianta de nada acionar o judiciário é, na verdade, uma forma de evitar que esse tipo de coisa continue acontecendo com todo mundo. Se você tiver êxito na demanda ou fizer um acordo escreva aqui, cara, para que as pessoas saibam que atitudes como essas do banco são passíveis de punição. Eles continuam fazendo essas coisas porque sabem que poucos são os que procuram (às vezes até por falta de informação), então é mais vantajoso (economicamente) manter a política de desrespeito.

      • Carlos Magalhaes disse:

        Caceres, acho até que pagar indenizações relativamente baixas é vantajoso para os bancos. É mais barato do que investir em segurança. E eles ainda contam com o deputado Azeredo, aquele do mensalão mineiro, para propor o AI5 digital.

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