TRUQUE LÚGUBRE I

Por Virgílio de Mattos

(introdução lógica)O mago

 

Morrer é como o mágico que some:

ilusório ilusionista de si mesmo.

Crê que quando grita:

Luta de classes!

Toda a exploração se consome.

 

Coitado do otimista.

 

Morrer não é como ficar para sempre

em um quarto de hotel.

Morrer é como o mágico que some

ilusório ilusionista de si mesmo,

quase sempre para sempre.

 

              TRUQUE LÚGUBRE II

(Discursos ao pé do túmulo)

 

O morto não podendo se defender

qualquer bobagem dita pode parecer

que cria o morto naquilo que

o autor do discurso diz

 

{vocês não imaginam a patifaria que isso produz}

 

Não estamos aqui para fazer análise de discurso

Isto aqui é um poema e ponto

 

Morrer é para sempre.

Morrer é como o mágico que some

ilusório ilusionista de si mesmo,

quase sempre para sempre.

 

              TRUQUE LÚGUBRE III

                    (depois de tudo)

 

O mágico não podendo escapar se conforma.

Qualquer movimento estabanado de desespero

irá diminuir o pouco oxigênio que cria o mágico

aqueles discursos pudessem trazer e pronto.

 

{Não estamos aqui para fazer análise de conjuntura

Isso aqui é um relato do ponto de vista do mágico

que aparece no poema e ponto}

 

Ninguém se salva nessa porra, ninguém mais.

Vamos fazer sumir a exploração.

E quando gritarmos: Luta de classes!

Quem estiver de sapatos ou de tênis não sobra.

Nem pedra sobre pedra e nem vice-versa

dizia o sábio óbvio, um otimista?

 

Morrer é para sempre.

Morrer é como o mágico que some

ilusório ilusionista de si mesmo,

sempre pra sempre

sempre.

 

E ponto final afinal.

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5 respostas para TRUQUE LÚGUBRE I

  1. Mônica disse:

    Putaquepariu, Virgílio! Que lindo! E olha:
    “qualquer bobagem dita pode parecer
    que cria o morto naquilo que
    o autor do discurso diz”

    Isso cria os vivos também, e os vivos sentem que são criados como não são.
    E sofrem. É tanta bobagem dita (ou dita sem palavras) que nos cria…
    Será que é simplificar demais chamar isso de preconceito?

  2. Virgílio disse:

    Ah, Mônica, então é você a leitora?
    A que lê e entende?
    Saudades de você!!!

    Foi no enterro da Dona Helena. A quantidade de filhos da puta que vi reunidos nem em assembléia de partido.

    Deu dó da morta. Definitivamente não merecia a patifaria.Foi uma forma de fazer com que ela se vingasse, enfim. Mesmo depois do fim!
    Abração.

  3. Mônica disse:

    É bom quando os mortos injustiçados têm quem os vingue. Achei lindíssima sua poesia.
    Saudade de você também.

  4. Mônica disse:

    Ah, Virgílio, e sabe o que é complicado? Saber que nem sempre os vivos conseguem se defender. Eles também às vezes precisam de alguém que os defenda.

  5. Mônica disse:

    Sobre os vivos: melhor do que alguém que os defenda é alguém que os ensine a se defender.

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